
Durante quatro longos anos eu morei fora de Blumenau, minha cidade tão provinciana e tão querida.
Foi uma experiência incrível, deu vontade de não voltar.
Ganhei autonomia, liberdade, jogo de cintura e alguns quilos.
Mas eu estava sufocando de saudade.
Saudade de ter por perto gente de verdade, não corpos sarados e conversas fiadas.
Claro que eu sentia falta da família, dos sobrinhos crescendo, dos pais envelhecendo sem a minha participação efetiva.
Mas as amigas eram um ponto crucial na minha pseudo-infelicidade.
Sentia saudade de abraçar, de jogar conversa fora sentada no murinho da rua bonita.
Sentia muita falta dos conselhos, dados sem pretensão e sem cobrança.
Nós somos amigas de longa data, amigas que não fazem pressão, que não ficam “de mal”.
Adultas, bem-resolvidas e felizes, acima de tudo.
Cada uma teceu seu caminho, com as pedras, os buracos, as escolhas e os amores que bem entendeu, mas sempre tendo as outras como suporte.
O fundamento das nossas vidas tem na sua essência os mesmos componentes: dignidade, força, lealdade e massa cinzenta. Não, nesse caso não é de cimento que estou falando. É conteúdo, é inteligência.
Elas são, pra mim, como uma folga na vida dura. São meu final de semana sem compromisso.
Elas são meu despertar sem pressa, num domingo com clima de páscoa.
São calor de festa com gente suada e divertida, são o chocolate com café que eu tanto gosto.
A maioria delas está bem próxima do meu sorriso, do meu choro e da minha montanha russa emocional. E elas embarcam no carrinho da frente, porque são Divas essenciais na minha vida.
Outras, puxa, estão um pouco mais distante do meu abraço, mas conseguem mesmo assim compreender minhas dúvidas cruéis, minha vontade de bater, minha vontade de chorar!
De qualquer forma são MINHAS, de mais ninguém.
E sem aviso prévio elas me resgatam da rotina, elas me salvam da tristeza e das neuroses virginianas. E mais um dia o sol se esconde pra lua aparecer. E se faz noite no reino encantado da Dona Baratinha.
Amigas que eu trago com todo cuidado dentro das palavras que escrevo, só pra dizer, obrigada!
Só pra dizer que sem vocês a vida estaria muito difícil.
Tudo isso só pra dizer que amo vocês!
- na foto estão as de perto: Silvana, Priscila, Andreza, Morgana.
- mas esse texto vale também para as de longe: Paula, Sabrina, Luana e Telme
