5/24/2007

Quantas pessoas que você amava hoje acredita que amam você?

Minha mãe...

Desculpe se minhas mãos cresceram demais e esqueceram, lá atrás, os carinhos que alimentavam seu rosto bonito.
Desculpe se meu corpo acabou ultrapassando os limites do colo e não passo mais os dias lhe abraçando enquanto descasca batatas.
Desculpe-me.
Desculpe o cansaço dos pés exaustos que nem sempre me levam até você nos finais de semana. Ou por seguidos finais de semana.
Desculpe o humor instável de um dia duro que não poupa a minha boca de derramar calúnias aos seus ouvidos.

Obrigada, porque apesar de não ter mais esses olhos atentos eu continuo exigindo a sua compreensão. E você me oferece toda a sua vida quando percebe isso.
Sei que minhas bochechas agora precisam ser divididas entre tantos outros amores e que nem sempre sobra espaço pro seu beijo.
Preciso agradecer.
O coração de filha caçula aprendeu, desde cedo, a orbitar em torno de si mesmo e isso causa um certo mal estar sofrido.
Quando isso acontece eu recorro a você, sem o menor pudor, e uso seu amor como um bálsamo pras enfermidades da minha alma.
Desculpe se não agradeço como deveria.
Desculpe tantas desculpas, deveria transformá-las em ações, mas só sei fazer palavras escritas.

Nenhum comentário: